Gostaria de está analisando junto com você, a possibilidade de a desobediência ser um tipo de poder. Em todo o decorrer da história da humanidade vemos esse assunto como muito emblemático. Isso mesmo, a transgressão é um emblema para os que se utilizam dela.
Em olharmos para os grandes "heróis" de nossa história veremos que o transgredir foi sua marca registrada.
Lampião, "herói" nordestino, venerado no inconsciente coletivo nordestino era um transgressor; Robin Hood, herói mítico da Inglaterra, transgrediu; o malandro carioca fazia uso do ilícito; o adolescente geralmente transgride; o adúltero e o fornicário são transgressores e etc, e etc, e etc.
Todavia, há uma transgressão mãe de todas as transgressões: O PECADO! Se tivermos o cuidado de olhar melhor, o pecado, que é uma transgressão, veremos ser o mesmo uma forma de poder. Veja-se o caso do pecado cometido por Satanás. Ele quis ser um deus. O seu pecado foi querer ser poderoso como o Deus dos céus (Is. 14:12-15). Ele quis ser deus e nisso transgrediu.
Mas se olharmos com cuidado veremos que o pecado do ser humano - ADÃO (homem), foi o mesmo do pai da mentira (Satã). A serpente perguntou a Eva o que foi que Deus disse a eles e ela simplesmente respondeu que de toda árvores que haviam no jardim do Éden, eles podiam comer, com exceção do fruto do conhecimento do bem e do mal (Gn. 2:16,17). Esse fruto não se trata nem de maçã, muito menos de sexo. Esse último criado pelo próprio Deus para a expansão da raça humana, mas também para deleite dos seres humanos dentro de um casamento, no seio de uma família. Mas a grande serpente astuta como era (Gn. 3:1), disse que não, eles podiam comer sem problema, o que poderia acontecer era que eles dois ficariam iguais a Deus (Gn. 3:5). E não foi isso que Deus disse. O Senhor disse que no dia em que os dois comessem daquela árvore eles morreriam (Gn. 2:17). Todavia, a possibilidade de ser igual a Deus os embriagara. A perspectiva de ser poderoso os levou a apostar todas as suas fichas. O pecado de Adão (ser humano) foi o mesmo do diabo. Ambos quiseram ser grandes. Logo, transgrediram.
Lembro-me de uma frase de um personagem infantil do filme Cidade de Deus: "Tenho que ter um ferro (Arma) para impressionar as minas (Garotas), elas piram (enlouquecem) quando nos vêm com um três-oitão". A transgressão dá uma falsa ideia de poder. Não era à toa que Moreira da Silva dizia: "malandro é malandro e Mané é mané". Malandro, o esperto e mané o otário. Essa é a inversão de valores. O malandro é o dono das quebradas, o dono do pedaço, detentor do poder.
Isso é tão sério, que eu gostaria de chamar a sua atenção, meu leitor, para esse termo Mané. Lembre-se que mané é o apelido de pessoas que têm o nome de Manuel, que é uma forma diminutiva de Emanuel (Mt. 1:23), um dos nomes de Jesus. Isso nada mais é do que uma blasfêmia com o nome do Senhor. Nunca chame uma pessoa de MANÉ. É um pejorativo ao nome do Senhor. Isso foi criado por Satanás há muito tempo, a igreja católica sabia disso e nunca se pronunciou e pode até lhe parecer engraçado. O malandro moreirano é o tal, está acima do EMANUEL.
Levando-se em consideração o exposto acima e em virtude de tudo o que aconteceu a todos os que se meteram a ser poderosos ou ainda hoje se aventura em ser, chegamos a conclusão de que todos se arrebentaram ou se arrebentarão nos rochedos do mar da vida. O homem não foi feito para ser grande ou poderoso. Nos recolhamos à nossa insignificância e projeto inicial de Deus - sermos seus servos. É sabido que a transgressão ativa a hipófise e essa libera a adrenalina no organismo, gerando uma euforia passageira, que pode dar algum prazer. E é esse prazer que pode, como qualquer prazer, viciar o ser humano a ter prazer na transgressão. O poder degenera o homem, o sofrimento dignifica-o (Is. 53:3-10; Rm. 5:3-5).
Deixe me te explicar isso. O assaltante quando vai para um assalto, ele sofre uma descarga de adrenalina tão grande que fica desligado da realidade. Por isso ele tem tanta coragem para transgredir. E ele assalta não só pelo fato de se apropriar do bem de alguém, ele, muitas vezes, está viciado em adrenalina. Os adúlteros quando sai para adulterar recebe essa carga do hormônio da hipófise (adrenalina) e se viciam também. O corrupto quando realiza seu peculato, recebe, também, o hormônio produzido pela hipófise e pode se viciar também. O serial killer mata em série, porque ele precisa da adrenalina e para se sentir poderoso. Esse é o motivo pelo qual um bandido não consegue pará de transgredir.
Enfim, esse vício, como outro qualquer é quem leva o transgressor a se sentir poderoso. Veja-se o caso de quem bebe; todo bêbado é rico, brabo e poderoso. Mas como em todo vício, suas vítimas sempre têm um final adâmico, devastador - a destruição!